Como liberal, eu acredito piamente nisso. E, sob qualquer ótica, temos uma carga de impostos abusiva que deve passar dos 33% do PIB em 2025. Os países da OECD, sendo o grupo de países com economias mais sofisticadas do mundo do qual ainda não somos parte, apresentam 33,9% do PIB, em média, de carga tributária.
Entre os latino-americanos, somos recordistas sob diversos ângulos. O relatório recente da OECD fornece dados estarrecedores sobre nossa carga tributária. Entre os pobres, nos comportamos como ricos e desenvolvidos no que tange aos impostos. Temos a maior carga tributária:

Chile e México apresentam cargas tributárias 35% menores que a nossa. Isso representa 12% de nosso PIB. Ou seja, isso equivale a 1 mês e meio a mais de trabalho que devemos doar ao Estado. Esta é a realidade dos últimos 25 anos. Logo, transcende a FHC, Lula, Dilma, Bolsonaro, Temer. Temos um DNA que vem dos tempos do Brasil colônia, quando a coroa portuguesa usurpava nossas riquezas. O mesmo ocorria nos EUA até sua independência, que assim foi motivada. Algo similar ocorreu no Brasil na Inconfidência Mineira, abafada pelas mãos firmes da coroa portuguesa e pela fraqueza de nossas elites que aceitaram o primeiro REFIS da história, traindo assim os insurgentes. Nasciam as primeiras renúncias fiscais do Estado, que serviram para calar a boca da parcela das elites que conseguiu se organizar. Mas os abusos tributários continuaram até hoje. A coroa se mudou para Brasília. Somos súditos leais.
Somos usurpados e ficamos presos a dois polos políticos que nada fazem para mudar isso. Estabilizar a carga tributária virou o suprassumo do “liberalismo” brasileiro que engole 33% do PIB na boa. Caímos na falácia de que não aumentar a carga tributária seria uma grande vitória. E a esquerda caiu na falácia de que o problema se resolve aumentando a carga tributária sobre o “andar de cima”, o qual é composto de pessoas que poupam e financiam os investimentos. Aí nossa taxa de investimento afunda, juros sobem e não sabemos a razão. Culpamos os “rentistas”. Rentista é o apelido usado pela esquerda burra para punir aqueles que pouparam, renunciando ao consumo imediato, e aí podem desfrutar os frutos de seu trabalho no futuro. Obviamente, o Estado é contra a poupança privada, ao querer nos controlar através da regulação da previdência pública. Isso nos torna servos obedientes. Se não tratarmos bem os governantes, eles cortam nossas aposentadorias. E os idiotas querem ser CLT ou funcionários públicos. Querem ser escravizados.
Quem poupa é criminoso neste país. O bom mesmo é o consumismo, tão criticado por Karl Marx. A inteligência da esquerda escreve sobre Marx, mas age como consumistas fetichistas de última hora. O lema aqui é: todos têm direito constitucional de consumir. Vamos reduzir impostos dos que têm maior propensão ao consumo, pois “gastar é vida”. E poupar é coisa de gente ruim que não quer ver a economia crescer. Os burros que pensam assim esquecem que a poupança de uns significa investimentos de outros, igualdade básica da contabilidade nacional. Este pensamento idiota nasceu de economistas dos anos 60 que queriam copiar o modelo americano que era sustentado pelo consumo. Eles esqueceram de ver o acúmulo de capital que ocorreu no período que antecedeu a isso. Todos os países ricos ficaram ricos pois poupavam muito nos estágios iniciais do seu desenvolvimento e adotaram políticas de bem-estar social ou de incentivo ao consumo após isso. Vide Ásia. Lá, o volume de poupança anual é de 50% a 100% maior do que o nosso. Nossos governos acreditam no livre mercado de consumo, mas na repressão ao investimento privado. E tem idiota que defende política industrial no Brasil. Eles querem mais comando central. Stalin era assim. China é assim. Hitler era assim. Ou seja, adoramos estado forte e ditatorial. Quando o principal polo antagonista das forças de esquerda defende a ditadura e o controle estatal da economia que sempre a acompanha, estamos ferrados.
A direita não tem uma agenda articulada para reverter isso, ao ser apoderada por viúvas da ditadura, que criou estatais e pariu inflações acima de 50% a.a., e crises enormes que terminaram no calote da dívida externa. Dívida gerada por déficits gigantes do governo que precisavam ser financiados no exterior, pois não havia poupança interna. Não existe mágica em crescimento econômico. Ou você investe ou não cresce. E você não investe se todos não renunciarem ao consumo imediato e pouparem. Isso é tão básico que me dá vergonha de escrever. Mas bom mesmo era o Médici. Delfim Netto e seus tabelamentos de preços e controles de capital.
Nosso estado absorve cerca de 40% do PIB para financiar seus gastos, excluindo os pagamentos dos juros absurdos que precisa promover para sufocar os investimentos privados e assim financiar seu endividamento. Se não reduzirmos o consumo interno, não temos como aumentar investimentos sem gerar rombos nas contas externas, como na ditadura, ou gerar inflação, como na hiperinflação dos anos 80 e 90.
As viúvas da ditadura e a elite de esquerda, que sonha com os anos de exílio na Europa, se aliam e mantêm o status quo. E você, trouxa, que xinga lulistas e bolsonaristas nas mídias sociais, enquanto paga as festas de ambos. Vocês querem perpetuar a idiotice. Parabéns e muito obrigado. Vocês votam com a bile negra e não com o cérebro. A bile faz parte do processo digestivo e termina nas fezes. Que tal não escolher entre o ruim e o pior? Dá para escolher e promover alternativas. Até mesmo o voto nulo. A turma da direita tem receio dos comunistas e, a da esquerda, dos fascistas. Sabem o que há em comum entre eles? Estado forte que dita nossas vidas. Logo, 100% dos eleitores aqui não querem o outro controlando suas vidas. Eu não quero ninguém controlando minha vida.
O mais fascinante é que mesmo a chamada parte lúcida do pensamento econômico liberal ignora o fato de que, quanto maior for a carga tributária, menos dinheiro sobra para poupar. Ela fica preocupada com uma solvência fiscal que precisa de 33% do PIB em impostos.
Fizemos a constituição cidadã, escrita por ex-exilados na Europa, saudosistas das experiências alucinógenas nos movimentos de 1968. Ficam alucinados com os debates no mundo rico sobre a distribuição de renda e de riqueza, e esquecem que somos pobres e precisamos acumular capital (também chamado de poupança) para chegarmos ao estágio onde estes debates fazem algum sentido. Ficaram parados nos debates de botequim do centro acadêmico. Sonhamos com o crescimento econômico asiático, mas queremos um estado de bem-estar europeu. São incompatíveis.
A direita ensaia esta agenda, mas, quando chega ao poder, dobra os joelhos para as demandas corporativistas do Estado, em todos os seus níveis, não somente no nível federal, mas também no estadual e municipal. Dois terços de nossos municípios não conseguem pagar suas contas sem ajuda do governo central. A direita culpa o Bolsa Família, que representa míseros 5% do gasto total. Não quer tocar para valer na causa do problema. Tem receio de perder o poder. Não debate produtividade e o uso agressivo da tecnologia na gestão dos gastos com saúde, educação e segurança. Isso faria o desemprego subir? Sim! Mas estamos no menor nível de desemprego após a democratização. Se não fizer agora, não se faz nunca. Menos de 10% do eleitorado é funcionário público em todos os níveis. Mas eles controlam os outros 90%. Há um esperto para cada 9 trouxas no Brasil.
Mas a culpa é do BC. Dos juros altos. Qualquer aluno de graduação em economia sabe que juro alto significa falta de poupança. Mas os meninos da Faria Lima ficam 100% ligados nos modelos econométricos de curto prazo para tentar adivinhar o que o BC vai fazer. Os economistas da moda falam de inflação e solvência apenas. Ignoram os fatores por trás disso.
Que país do mundo teria problema de solvência com uma dívida líquida igual à nossa de 65% do PIB? Nenhum. Bastaria apenas aceitar a realidade do modelo econômico europeu que adotamos, onde a economia não consegue crescer mais que 1,5% a.a., e que, portanto, não adianta sonhar com crescimento asiático. Aí os juros despencariam e ficaríamos, para sempre, nessa pobreza. Adotamos políticas europeias, mas queremos PIB asiático. Então aumentamos gastos e impostos para acelerar o crescimento. Ou juros explodem ou inflação dispara. Logo alguém sugere: vamos controlar a taxa de câmbio para controlar a inflação! Em seguida, quebramos lá fora. O povo precisa entender que esta é a escolha que fizemos.
Enquanto isso, o crime organizado se concentra em se apropriar do Estado. Dos 40% do PIB em gastos públicos. É um golpe de estado que, desta vez, não vem da direita tampouco da esquerda. Ele vem de organizações criminosas com zero ideologia, que se aproveitam e aumentam a rachadura da polarização política ignorante para assim tomar o poder. Eles nos manipulam a jogar a culpa das mazelas atuais ora no Bolsonarismo, ora no Lulismo. Seriam apenas corruptores “inocentes”. Vítimas do “sistema”.
Este desabafo foi motivado pela desfaçatez daqueles que estão no poder central, escancarada pelo caso Master. A turma lá, que nos cobra 1/3 de nossa renda para ficar no poder, ainda tem a cara de pau de nos roubar. O problema é que delegamos o poder de decidir onde e como vamos gastar 1/3 de nossa renda para um grupo de “líderes”, da direita e da esquerda, com zero escrúpulo em desapropriar nosso dinheiro. Seja via rachadinhas, petrolão, mensalão, emendas parlamentares, INSS, Banestado, anões do orçamento ou Banco Master. Tudo isso ocorreu sob a supervisão de governos destes polos atuais.
Os dois extremos vão perpetuar isso. Só mudarão as moscas. Não seja idiota e passe agora a reclamar dos problemas reais. Eu ficaria mais contente se tivéssemos um governo corrupto, mas eficiente e que se apropriasse de menos de 20% de nossa renda. Infelizmente, os corruptos não são, por definição, adeptos da austeridade ou eficiência. Dão esmolas para o povo para continuar sua apropriação.
Falamos que o problema é a impunidade. Concordo. Impunidade dos eleitores que perpetuam isso e assumem a postura derrotista de que “o Brasil é assim”. Impunidade ou passividade. Os ricos e os pobres migram para a Europa ou EUA. E lá são tratados com desprezo ou ficam no exílio tributário. Nada errado nisso. Mas é sinal de um conformismo nojento. No Brasil, ter passaporte europeu ou visto de trabalho em Portugal virou sinal de status. Em que outro país desenvolvido e democrático é assim? Somente conseguimos atrair imigrantes de países miseráveis. Gente desesperada. Sofrida. Que, quando chegam aqui, não vão ser funcionários públicos ou depender do Estado. Mas acabam sucumbindo a isso. Pois é cultural e precisam se adaptar à nossa “cultura” para sobreviver.
Nossa elite política não merece nosso voto, sob qualquer ótica. O voto de apoio aos polos atuais significa aceitar a servidão. Negar nossa liberdade de escolha. Prejudicar nossos filhos e meu neto. Ou somos de fato um país de escravos.
Chega. Basta. Liberdade, ainda que tarde.
Ricardo Gallo — fevereiro de 2026


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